Falar em público

Todo o falar, num certo sentido, é falar «em público», porque há sempre alguém presente quando nós falamos. Falar «em particular» é, em última análise, falar consigo mesmo. Uma tal pessoa merece a nossa simpatia, ou até talvez nos deixe alarmados.
No entanto, o assunto «falar» é tão importante, e é tal o seu significado, que se torna difícil fazer-lhe toda a justiça. Tendo afirmado que falar «em público» é provavelmente uma designação incorreta, que pode levar muitas pessoas, aliás inteligentes e experientes, a adquirir um certo número de técnicas assombrosas sobre a maneira de falar «em público», tenho de dizer agora o que é que o termo não implica. Não implica meramente a capacidade de falar com confiança, não implica meramente um consciencioso à-vontade num palanque ou a espontaneidade para falar sem receios em qualquer ocasião. Em resumo, a educação da fala não consiste num exibicionismo de tribuna.

Devo fazer notar que a educação da fala nos proporciona vantagens não apenas educativas, mas também pessoais. As vantagens pessoais, especialmente com uma prática constante, são:

  1. uma pessoa pensa mais claramente;
  2. melhora a sua aparência;
  3. melhora a sua voz;
  4. melhora o seu poder de concentração;
  5. amplia os seus interesses.

Não há qualquer mistério na fala eficaz e na troca de ideias com os amigos. Falar claramente e de um modo conciso é ao mesmo tempo uma arte e uma habilidade. Não é uma qualidade nata ou um atributo de poucos; qualquer pessoa, praticamente, com uma aplicação inteligente, pode dicidir-se a falar com vigor e de modo convincente. Falar «em público», como na TV, não é uma questão de gestos estudados e de «declamação»; exige uma maneira própria, direta, simples, sem truques oratórios ou declamatórios.

Consideramos os dois componentes orador e auditório. Os problemas de um orador são diferentes dos de um escritor, embora os dois utilizem símbolos verbais. Um escritor depende da sintaxe. A ordem em que põe as suas palavras sugere a entoação, a pausa e a ênfase. Um orador traz consigo toda a sua personalidade e todo o comportamento possível para a tribuna, e com isto reforça as palavras e as ideias que exprime. O seu comportamento na tribuna aumenta ou diminui o valor da sua expressão. Falta dizer que em televisão como em rádio, a adaptação às exigências de um auditório requer, naturalmente, uma seleção conveniente do valor psicológico das palavras capaz de persuadir ou despertar qualquer atitude emocional particular.

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