Samsung cancela o Galaxy Note 7

Depois dos rumores, as certezas! A Samsung decidiu mesmo interromper a produção do modelo Galaxy Note 7, lançado no verão passado, devido a problemas relacionados com a bateria. Na origem do defeito estará a relação do íon-lítio e o risco de explosão durante ou depois o carregamento. Ao que tudo indica, a empresa sul-coreana terá comercializado este modelo de forma precoce, antecipando-se assim ao lançamento do iPhone 7 da sua principal rival, a multinacional norte-americana Apple.

No seu comunicado de hoje, terça-feira 11 de outubro, aquela que é considerada a maior fabricante de telemóveis do mundo também garantiu que todos os consumidores do Note 7 vão poder reaver o dinheiro dos aparelhos ou reinvesti-lo na aquisição de quaisquer outros modelos (da empresa). O modelo será muito provavelmente retirado do mercado. Segundo o jornal norte-americano The New York Timesa produção do melindroso Smartphone vai mesmo cessar definitivamente. As perdas acarretadas por todo este processo apontam valores superiores a 2.700 milhões de euros nos próximos 2 trimestres.

Para a empresa fundada em 1938 pelo empresário Lee Byung-chul, classificada pela revista quinzenal Forbes como sendo a 15.ª empresa mais confiável do mundo em 2015, esta falha surgiu no pior momento. A Samsung já estava a atravessar um mau período. O equipamento Galaxy Note 7 vê assim abreviado o seu percurso no know-how sul-coreano. Este episódio pode incidir na imagem da marca.

Até agora, a atual gama alta de smartphones teve duas grandes virtudes: eram esteticamente muito atrativos e ainda tremendamente potentes. Falamos de complexas obras de engenharia que oferecem uma solvência total, por mais exigente que seja o serviço. É um facto que as dimensões destes equipamentos já não são um problema para os engenheiros, que continuam, ano após ano, a instalar-lhes componentes mais céleres e eficientes em volumes de produto semelhantes ou, inclusive, menores do que os de gamas anteriores. Isto, para não falar nos smartphones que chegam aos 6 GB de RAM (mais do que alguns portáteis atuais).

Quanto às baterias e aos consumos energéticos, cada vez mais reduzidos, apesar de alguns modelos chegarem já aos dois dias de uso intensivo sem grande senão, o avanço exige algum tempo. Além da redução no consumo de bateria, avançou-se de forma significativa na sua dinâmica de recarga rápida. Por exemplo, hoje, segundo os modelos e não penetrando na quantidade de energia transferida como no caso do novo interface USB Tipo C, é possível carregar a bateria até 50% em apenas meia hora.

Samsung Galaxy Note 7

Samsung retira o Galaxy Note 7 de circulação

Fica provado que, de forma geral, a maioria dos telefones (inteligentes) de gama alta oferece rendimento suficiente para que os utilizadores fiquem satisfeitos. Mantendo-se na linha da frente, a Samsung tem vindo a desenvolver os equipamentos de forma operativa; foi pioneira no desenvolvimento do PMPs (Portable Media Players), na comercialização da primeira memória flash, o não menos conhecido NAND SSD (Solid State Disk) de 32GB, e, atualmente, começou com a integração do sensor de ritmo cardíaco. Contudo, tudo isto requer precisão e um tempo mínimo de aplicação.

«No melhor pano cai a nódoa», se este adágio popular terrifica os grandes fabricantes, neste caso a Samsung acabou de colidir frontalmente com uma segunda lição «Quanto mais depressa, mais devagar».

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